Século XIX
Execução de Sol Hachuel, rapariga de dezessete anos acusada de apostasia
1834·Fès
O saldo é reproduzido tal como a fonte o escreve — nunca arredondado, nunca somado a outro. Os saldos sobrepõem-se de um acontecimento para outro.
julgada e depois decapitada por ordem do sultão por ter recusado a dizer-se muçulmana
Sol Hachuel, jovem de Tanger, foi acusada de ter pronunciado a fórmula do islão e de ter regressado ao judaísmo — o que, no direito muçulmano, faz da apostasia um crime capital. Ela sempre negou ter-se convertido. Levada a Fès e apresentada ao sultão, recusou até ao fim dizer-se muçulmana, apesar das ofertas e das ameaças, e foi decapitada em público. O seu túmulo, no cemitério judeu de Fès, tornou-se de imediato um lugar de peregrinação, e a sua história um dos raros martírios femininos da memória sefardita, cantada em judeu-árabe e em espanhol, impressa já na geração seguinte. O facto é datado e documentado por testemunhas do seu processo; foi a sua palavra, reportada, que fez o essencial da sua posteridade.
- Período :
- Século XIX
- Natureza :
- Processos e execuções
- Região :
- Egito e Magreb
- País :
- Maroc
Eugenio Maria Romero, *El Martirio de la Joven Hachuel* ; Sharon Vance, *The Martyrdom of a Moroccan Jewish Saint* ; *Encyclopaedia Judaica*, article « Hachuel, Sol ».