Séculos XIII–XIV
Massacres de 1391 na Espanha
1391·Espagne
O saldo é reproduzido tal como a fonte o escreve — nunca arredondado, nunca somado a outro. Os saldos sobrepõem-se de um acontecimento para outro.
Sevilha (6 de junho), Córdoba, Toledo, Madrid, Cuenca, Burgos, Logroño, Valência (9 de julho, 250), Maiorca (300), Barcelona (5-8 de agosto, ~400), Gerona, Lérida, Perpinhã
O arcediago de Écija, Ferrán Martínez, pregava há anos contra os Judeus de Sevilha, apesar das advertências do rei e do arcebispo. A morte do soberano e a menoridade do seu sucessor deixaram-lhe o campo livre.
Sevilha incendiou-se no início do verão, e a violência alastrou por toda a península em poucas semanas: Córdoba, Toledo, Madrid, Cuenca, Burgos, Logroño, depois a coroa de Aragão — Valência, Maiorca, Barcelona, Girona, Lérida, Perpignan. Os padrões repetem-se: o bairro tomado de assalto, a escolha oferecida entre o batismo e a morte, as autoridades municipais ultrapassadas ou cúmplices.
É o acontecimento que transforma a história judaica de Espanha. Não destrói apenas comunidades: cria numa só estação um numeroso grupo de convertidos, os *conversos*, cujo estatuto alimentará um século de suspeita, os estatutos de «pureza de sangue», a Inquisição e, finalmente, a expulsão. O filósofo Ḥasdaï Crescas, que perdeu o filho em Barcelona, fez o relato desses eventos numa carta dirigida às comunidades de Avignon.
- Período :
- Séculos XIII–XIV
- Natureza :
- Massacre
- Região :
- Europa Ocidental
- País :
- Espagne
Ḥasdaï Crescas, lettre aux communautés d'Avignon ; Pero López de Ayala, *Chroniques* ; documents de la couronne d'Aragon.