Les juifs d'Afrique du Nord
יהודי צפון אפריקה: דמוגרפיה ואונומסטיקה
Autor: Maurice Eisenbeth
Data: 1936
Os judeus do Norte de África: demografia e onomástica é uma obra publicada em Argel em 1936 por Maurice Eisenbeth (1886-1957), então Grão-Rabino de Argel. Trata-se do primeiro estudo sistemático das populações judaicas do Norte de África — Marrocos, Argélia, Tunísia e Líbia — baseado simultaneamente nos recenseamentos coloniais, nos registos comunitários e numa análise metódica dos apelidos. A obra divide-se em duas grandes partes. A primeira parte, demográfica, estabelece os efetivos, a distribuição geográfica e a estrutura por comunidades dos judeus norte-africanos na viragem dos anos 1930, a partir dos dados estatísticos franceses, espanhóis e italianos disponíveis à época, cruzados com os arquivos rabínicos locais. Eisenbeth descreve aí, comunidade por comunidade, as grandes comunidades (Argel, Constantine, Orão, Tunes, Fès, Casablanca, Tripoli…), mas também dezenas de comunidades mais modestas dos oásis, do Atlas e do Sul tunisino. A segunda parte, onomástica, constitui o núcleo duradouro da obra e explica a sua posteridade. Eisenbeth apresenta um catálogo comentado de várias centenas de apelidos usados pelos judeus do Norte de África, indicando para cada um: a sua etimologia provável (hebraica, aramaica, árabe, berbere, judeo-espanhola, italiana ou toponímica), as suas variantes ortográficas, a sua área de difusão geográfica e as linhagens rabínicas ou mercantis notáveis que o usaram. Apoia-se numa documentação de primeira mão — registos de ketoubot, atas de tribunal rabínico, listas de oferendas sinagogais, epitáfios de cemitérios — e empreende a primeira classificação tipológica dos apelidos judeu-magrebinos: nomes bíblicos, nomes sacerdotais (Cohen, Levi), topónimos ibéricos herdados da expulsão de 1492 (Toledano, Narboni, Corcos), topónimos magrebinos (Tetouani, Mrejen, Fezzani), arabismos descritivos (Abitbol, Dahan, Chriqui), alcunhas profissionais (Sayag, Neggar) e apelidos especificamente rabínicos. Pelo seu método como pela sua amplitude, esta obra permanece, quase um século depois, uma referência incontornável da genealogia judaica norte-africana e da investigação sobre as identidades judaicas magrebinas. Alimentou todos os estudos posteriores — Paul Sebag, Robert Attal, Joseph Tolédano, Michaël Laskier — e constitui para dezenas de milhares de famílias originárias do Norte de África a porta de entrada para a história do seu apelido.