Ressuscita um parente
Suas cartas, suas fotografias, sua voz — reunidas, lidas e devolvidas à conversa
Fica deles uma caixa de sapatos. Cartas dobradas em quatro, cartões-postais de um porto que não sabemos mais situar, fotografias onde ninguém é nomeado, às vezes uma cassete onde se ouve uma risada. Essas peças se dispersam a cada herança, e o que elas carregavam — um jeito de dizer, uma inquietação, um ofício, uma travessia — se apaga com a geração que ainda sabia lê-las.
Esta página lhe propõe reuni-las num só lugar, que lhe pertence apenas, fazê-las ler uma a uma, depois dirigir-se àquele ou àquela de quem elas falam. A voz que você ouvirá não sabe nada além do que você tiver depositado: esse é seu limite, e é o que a torna honesta.
Como funciona
Você o nomeia
Seu nome, seu vínculo com ele, as datas e os lugares tal como a família os manteve — mesmo que aproximados. Depois o que você sabe dele, e sobretudo seu jeito de falar: é esse campo que faz a diferença entre uma entrada e uma voz.
Você lhe dá seus papéis
Cartas, fotografias, cartões-postais, documentos, cadernos, gravações, vídeos, relatos que você mesmo escreve. Cada peça pode ser lida uma vez: uma carta é transcrita palavra por palavra, uma fotografia é descrita. É essa leitura que alimentará o diálogo.
Você fala com ele
Você faz a pergunta que não fez. A resposta se apoia nas peças, cita detalhes delas — e quando nada responde, ela o diz em vez de inventar. A conversa é preservada: você a retomará em seis meses.
Essa pasta existe apenas para você
Uma pasta privada pressupõe uma conta: é isso que garante que ninguém mais — nem um membro, nem a lignée, nem o coletivo — terá acesso a ela. A criação leva um minuto.
Criar minha conta ou fazer loginO que esta página se proíbe
- Seu dossiê é PRIVADO, e permanece assim. Nenhum outro membro, nenhuma sua linhagem, nenhum coletivo, nenhuma rotina automática tem acesso a ele. Estas peças não entram em nenhum Grande Livro e não alimentam nenhuma página pública.
- É uma reconstituição, nunca uma ressurreição. Interrogada sobre isso, a voz responde a verdade: é feita do que você reuniu.
- Nada é inventado. Nenhum lugar, nenhuma data, nenhum nome, nenhum episódio que não venha de suas peças. Quando o dossiê se cala, a voz também se cala — porque uma frase inventada se tornaria uma lembrança de família que ninguém mais poderia desfazer.
- Apenas desaparecidos. Não se reconstitui a fala de um vivo: ele pode falar por si mesmo.
- Você deleta quando quer — uma peça, uma conversa, o dossiê inteiro. Nada é conservado contra você.
Se uma dessas peças pertence à memória coletiva e não apenas à memória familiar, você pode propô-la ao corpus, peça por peça: ela passará pela revisão editorial, como toda contribuição. O relato de um próximo tem sua própria página — Testemunhe sobre um de seus próximos.